Posted by: kohlerortofacial | May 21, 2013

Zumbido nem sempre tem como causa questões ligadas somente aos ouvidos internos.

image001Os zumbidos também podem ser causados pelo excesso de força muscular exercida na região craniofacial (cabeça e pescoço), principalmente pela musculatura mastigatória, além claro, de ser ligados a várias patologias de ordem exclusivamente otoneurológicas.

De acordo com estudos efetuados na Divisão de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da USP (São Paulo) – Dra. Tanit Sanchez e colaboradores – as contrações musculares podem ser fatores de produção de modulações/alterações e até deflagrações do zumbido em sua intensidade.

Segundo a eminente pesquisadora da área de otoneurologia, este problema – zumbido – atinge 17% da população brasileira.

A questão analisada na FMUSP leva em conta a existência de conexões anatomo-fisiológicas entre as vias auditivas e as somatossensoriais, sendo estas últimas informações oriundas do corpo e trasnmitidas para a córtex cerebral. Em determinados casos de pacientes, inclusive o especialista em zumbido pede uma avaliação das funções neuromusculares e mioartrológicas (musculatura que aciona a mandíbula e as ATMs) solicitando o que se chama de uma avaliação ‘funcional craniofacial’.

Segundo os pesquisadores, a fisiopatologia do zumbido é muito complexa e – apesar dos constantes e recentes avanços da pesquisa e literatura específicas – ainda não parece estar total e completamente esclarecida e elucidada.

Alguns pacientes referem, expontaneamente, que seu zumbido sofre influência de manobras de contração dos músculos que geram o conhecido ‘apertamento de dentes’, também chamado de ‘bruxismo’. Durante o exame clínico, a realização de manobras de contração induzida dos músculos, principalmente aqueles de cabeça e pescoço – incluida ai a poderosa musculatura mastigatória – podem influir sobre o zumbido, aumentando-o, informa o Prof. Gerson I. Köhler, docente convidado da pós-graduação em Ortodontia e Ortopedia Facial da UFPR desde 1988 e membro do GIPZ, Grupo de Informação a Pacientes com zumbido, que funciona do 5. andar do anexo B do Hospital de Clínicas de Curitiba (UFPR)

Estas manobras de contração induzida – utilizadas no diagnóstico diferencial das causas do zumbido (que podem ser mais do que 200 causas) – tem sido estudadas desde 1999, pelo Dr. Levine, eminente pesquisador da área de zumbidos (também conhecidos como acúfenos ou tinnitus), nos Estados Unidos. A renomada revista científica American Journal of Otolaringology publicou – sobre estas questões – o clássico artigo – Somatic (craniocervical) tinnitus and the dorsal cochlear nucleus hypothesis.

Estas descobertas – relativas ao zumbido de causa para-auditiva – se baseiam em achados de outros dois pesquisadores americanos – Wright e Rhyugo, que, em 1996, demonstraram que o sistema somatossensorial (ligado à sensorialidade do corpo, às sensações sentidas a partir do corpo) e o sistema auditivo estão – anatomica e fisiologicamente – relacionados por meio de projeções de natureza excitatória do núcleo cuneiforme sobre outro núcleo, chamado de coclear (ambos da porção cranial do sistema nervoso).

Traduzindo isto em termos mais simples significa dizer que as sensações somatossensoriais – tal como o apertamento dos dentes pela musculatura mastigatória – podem influenciar a percepção do sintoma zumbido.

O que ocorre é que as informações sobre a força muscular excessiva, ao serem decodificadas pela córtex cerebral, podem, em determinados pacientes, ser interpretadas como sendo zumbidos. O paciente sente, nestes casos, o sintoma zumbido ao invés de sensações dolorosas musculares ou tensões e desconforto craniofacial, o que seria o normal acontecer.

Estas contrações musculares (entre as quais as popularmente chamadas de ‘apertamentos dentários’) são, na verdade, contrações repetitivas da musculatura mastigatória (repetitive masticatory muscular activity, representadas na literatura pela sigla RMMA).

Estas RMMA podem ser de ocorrência diurna e também durante o sono. Quando ocorrem durante o sono (não confundir com o rangido de dentes, que provoca ruídos que podem acordaar a casa toda) costuma ser silenciosas – no sentido vertical – podendo ser detectadas pelos modernos exames polissonográficos, os mesmos utilizados para obter informações sobre a qualidade do sono, o ronco, apneia por obstrução da orofaringe e outras ocorrências relacionadas ao ato de dormir.

As RMMA são classificadas também, entre outros, de ‘distúrbios do sono’, podendo gerar ou alterar a intensidade do zumbido.

Nestes casos especiais, o médico otorrino ou otoneurologista – após já ter descartado as causas próprias da função alterada da cóclea (uma das estruturas internas dos ouvidos) -solicita a participação de um profissional da Ortopedia Facial/Ortodontia na equipe que tratará o paciente.

Este fato – muito importante para a evolução do controle do zumbido – abre novos caminhos, de conotação interdisciplinar/multiprofissional para o efetivo tratamento de pacientes portadores de sintomas de zumbido, conclui o Prof. Köhler.

Se você ou alguém de sua família apresentar tais sintomas, ligados à ação neuromuscular do segmento de cabeça e pescoço, convém procurar por especialistas que entendam destas interrelações para ajudar a tratar e minimizar o zumbido.

Fontes

– Gerson I. Köhler e Juarez F. W. Köhler, são especialistas em Ortodontia e Ortopedia Facial, membros da ABOR – Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial, ligada a WFO – World Federation of Orthodontists, nos EUA. –kohler010@gmail.com – kohlerortofacial.wordpress.com

– Somatic (craniocervical) tinnitus and the dorsal cochlear nucleus hypothesis – publicado pela Americam Journal of Otolaringoly em 1999

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